quinta-feira, 17 de junho de 2010

ASSIM COMEÇAM AS GRANDES NAVEGAÇÕES

O pioneirismo português:
Portugal foi o primeiro país europeu a realizar viagens marítimas pelo Oceano
Atlântico no século XV.

A centralização política: com a centralização administrativa de Portugal, realizada durante a dinastia de Avis a monarquia passou a governar de acordo
com os interesses da burguesia, ou seja, o rei passou a governar sozinho, dando apoio aos projetos da burguesia.

Absolutismo e Mercantilismo: o rei desejava aumentar seus poderes e a burguesia desejava aumentar seus, lucros. A expansão comercial-marítima foi a maneira encontrada para a realização desses dois desejos, ou seja, todo poder político nas mãos do rei e o lucro nas mãos da burguesia.
Ausência de guerras: enquanto outros países europeus encontravam-se envolvidos em conflitos militares, Portugal concentrava suas atenções na realização de suas viagens. Esses conflitos atrasaram a entrada de outros países na corrida das grandes navegações.

A Espanha, por exemplo, ainda lutava pela expulsão dos árabes. A França e a Inglaterra lutavam entre si num longo conflito, conhecido como a Guerra dos Cem Anos.

Posição geográfica: Portugal possui uma posição geográfica privilegiada, tendo sua costa oeste inteiramente banhada pelo Oceano Atlântico, portanto, caminho livre para se locomover sem cruzar fronteiras com outros países.

GRANDES NAVEGAÇÕES: UM COMÉRCIO LUCRATIVO

Um dos estímulos para a expansão marítimo-comercial foi o desejo de mercadores e de reis de vários países europeus de participarem do lucrativo comércio oriental das:

• Especiarias - pimenta, cravo, canela, etc, que serviam para a conservação de alimentos.
• Artigos de Luxo - marfim, porcelanas, seda, perfumes, tapetes.


Desde o século XI, quando as cruzadas reabriram o Mediterrâneo, reanimando
as relações entre o Ocidente e o Oriente, o comércio de produtos orientais era totalmente controlado pelas cidades do norte da Itália, especialmente Gênova e Veneza. Os mercadores dessas cidades buscavam esses produtos nos portos do Mediterrâneo, principalmente em Constantinopla (atual Istambul), Trípoli e Alexandria, revendo-os com grande lucro na Europa.

Em 1453, os turcos otomanos invadiram Constantinopla e passaram a cobrar pesadas taxas sobre os produtos orientais comercializados através daquele
porto.
Por causa disso, as especiarias revendidas pelos italianos na Europa ficaram ainda mais caras, levando os países europeus a evitarem o Mediterrâneo. A solução para este problema foi buscar um caminho marítimo que levasse ao Oriente (índias) através do Atlântico.

Outra boa razão para as expedições marítimas era a necessidade de obter
ouro e prata. Naquela época, as jazidas de metais preciosos da Europa estava se esgotando e não produziam mais o suficiente para a fabricação de moedas.

A falta destas dificultava o crescimento do comércio, impedindo que a burguesia européia aumentasse seus lucros e que os reis ampliassem seus rendimentos por meio dos impostos.

Embora fosse um empreendimento caro e arriscado, a expansão marítima comercial interessava tanto à burguesia quanto aos reis da Europa. Por isso, ele se aliaram para realizá-la.

A burguesia fornecia o capital e o rei oferecia proteção ajuda aos negócios. Essa aliança entre o poder central (rei) e a burguesia mercantil foi o fator decisivo para a expansão européia.

O progresso técnico e científico também colaborou para que os europeus aventurassem a navegar em mar aberto.

São exemplos desse progresso o aperfeiçoamento do uso da bússola e do astrolábio, o uso bélico da pólvora, a invenção da caravela e o desenvolvimento da cartografia.

CONQUISTA DOS OCEANOS

Até a Idade Moderna, os europeus pouco sabiam sob a forma da Terra e a
imensidão dos mares. Alguns acreditavam que ela fosse quadrada, outros que fosse plana. Neste caso, se as caravelas se afastassem, chegaria um momento em que poderiam cair no abismo.
Essa falta de conhecimento geográfico impediu o homem europeu de conhecer
e conquistar a imensidão do planeta Terra.

Até o início do século XV, o mundo conhecido pelos europeus limitava-se ao seu próprio continente a Europa, parte da Ásia e o norte da África.

Na Idade Moderna, acreditava-se que os oceanos eram povoados por monstros gigantes, águas que ferviam e outros perigos imaginários, o que dificultou muito a realização das viagens.

Além disso, conseguir marinheiros para as viagens mais arriscadas e longas era muito difícil. Por isso, o rei costumava recrutar pessoas à torça ou dar perdão aos condenados para conseguir tripulação.

O desenvolvimento dos instrumentos de navegação contribuiu para encorajar os navegadores. Os portugueses aperfeiçoaram uma embarcação que permitia navegar pelos oceanos com mais velocidade e segurança: a caravela.

Além disso, outros dois inventos permitiram que os navegadores se afastassem cada vez mais da costa: a bússola e o astrolábio.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DECADÊNCIA DO FEUDALISMO

A decadência do feudalismo se deu por dois motivos:
A crise agrícola e a revolta dos camponeses.

A crise agrícola
No início do século XIV, a agricultura feudal já não era suficiente para alimentar
toda a população.

Os principais motivos desta crise foram:
• As terras cultiváveis estavam esgotadas .
• A produção rural estava desorganizada devido às constantes fugas de servos, que inconformados com as condições de vida nos feudos buscavam refúgios nas cidades.
Um rigoroso e prolongado inverno que ocorreu na Europa no século XIV
arrasando as colheitas e matando os animais. Por causa disso, milhares de
europeus começaram a morrer de fome e outros passaram a viver em estado
de subnutrição. Afetada pela fome a população européia adoecia facilmente.

Entre 1347 e 1350, a Europa foi duramente atingida pela peste negra, epidemia
contra a qual não se conhecia nenhum remédio.

• Peste negra : Levada para a Sicília (Itália) por navios vindos do Oriente, a peste atacou primeiramente as cidades, locais onde as condições de higiene eram péssimas.
Os detritos das casas eram lançados às ruas e não havia serviço de coleta de
lixo, encanamento ou esgoto.
Das cidades, a moléstia disseminou-se rapidamente por todo o interior do
continente europeu.
A peste é provocada por um bacilo chamado "Pasteurella pests", que ataca
ratos. As pulgas entram em contato com ratos contaminados e ao picarem o
homem lhe transmitem a moléstia. Através do hálito, um individuo passa a doença ao outro.
Em menos de três anos a peste negra matou mais de 30% da população
européia, cerca de 25 milhões de pessoas.

• A Guerra dos Cem anos (1337 - 1453), entre França e Inglaterra. Esta guerra também provocou um grande número de mortes e prejudicou ainda mais a agricultura.

Para manter seus rendimentos e enfrentar esta crise, muitos senhores feudais
passaram a exigir dos servos mais impostos. Estes reagiram ao aumento da
exploração promovendo violentas revoltas.

• As revoltas camponesas: Aconteceram duas grandes rebeliões camponesas neste período. Uma na Inglaterra e outra na França.

Na França, cerca de cem mil camponeses que, dispostos a se libertarem da
servidão, incendiaram inúmeros castelos e mataram muitos nobres. A nobreza
contra-atacou massacrando milhares de camponeses acabando com a revolta.
Já, na Inglaterra, os camponeses conseguiram ocupar Londres. Reunidos com o rei Ricardo XI, exigiram o fim das obrigações servis e dos inúmeros impostos que tinham que pagar.
Na presença dos rebeldes, o rei concordou com as exigências feitas. Logo em seguida, porém, uniu-se aos nobres reprimindo a rebelião e arrasando aldeias inteiras.

O fim do feudalismo: Em conseqüência destas revoltas, os senhores feudais foram, aos poucos, afrouxando a servidão. Alguns senhores transformaram os seus servos em rendeiros, isto é, trabalhadores que exploravam a terra pagando uma espécie em aluguel.

Outros libertaram os servos em troca de uma soma em dinheiro. Outros trataram de expulsa-los de seus domínios e contrataram trabalhadores assalariados.
Aos poucos o trabalho servil foi sendo substituído pelo trabalho livre. Com isso, o feudalismo foi desaparecendo lentamente e deixando espaço a outro modo de organização da sociedade: o capitalismo.

AS CRUZADAS

As cruzadas: fé ou riqueza?

Todos os anos, milhares de cristãos faziam peregrinações à Jerusalém na
antiga Palestina, cidade por eles considerada sagrada, por ali ter vivido e morrido Jesus Cristo. As pessoas de mais posses tomavam embarcações nos portos das cidades italianas, e as mais pobres faziam o longo caminho a pé enfrentando todo o tipo de perigo.

No ano de 1071, a Palestina foi conquistada pelos turcos de religião muçulmana, que proibiram as peregrinações ao Santo Sepulcro, passando
inclusive a maltratar os peregrinos.

Ao saber disso, o Papa Urbano 11 convocou a cristandade para que se
unissem e combatessem os infiéis, ou seja, convertessem os muçulmanos ao
Cristianismo, a fim de reconquistarem a Terra Santa.

Os muçulmanos acreditavam na religião islâmica onde misturavam
princípios do Cristianismo e do Judaísmo. Eram monoteístas, o seu Deus
era Alá (criador de todas as coisas) tendo Maomé como seu profeta.

Era o começo de uma série de expedições conhecidas como cruzadas pois seus componentes traziam uma cruz em suas roupas e bandeiras.
Ao todo, foram realizadas oito cruzadas que aconteceram de 1095 à
1270 das quais os cristãos jamais conseguiram dominar os muçulmanos.
Além da religião, as cruzadas tiveram outras importantes razões:
A busca de riquezas do Oriente cobiçadas por nobres e pessoas pobres e
insatisfeitas com o sistema feudal;
Domínio do comércio de artigos de luxo e de especiarias orientais no Mar
Mediterrâneo.

FASE CRUEL DA IGREJA

A face cruel da Igreja

Entre os principais abusos cometidos pela Igreja Católica na época medieval,
destacam-se:
• Venda de indulgências - perdão de pecados mediante pagamentos .
• Simonia - venda de objetos sagrados .
• Venda de cargos da Igreja - (bispos e arcebispos ...)

Além disso, em 1231, o Papa Gregório IX criou os Tribunais de Inquisição,
cuja missão era descobrir, julgar e condenar os hereges.

Você sabe o que significa heresia?
Heresias eram idéias contrárias às impostas pela Igreja Católica.
Se você discordasse de qualquer atitude ou idéia da Igreja (por exemplo: a
prática de outra religião) seria considerado como herege, portanto, julgado pelo
Tribunal da Santa Inquisição.

Você sabe de que maneira o Tribunal agia? Quase sempre o condenado
era lançado vivo na fogueira.

O processo do Tribunal da Inquisição compreendia várias fases:

Tempo de graça - Era o tempo que o acusado tinha para apresentar-se
livremente ao juiz. Caso não comparecesse seria perseguido e as penalidades
tornavam-se rigorosas. O acusado que se apresentasse durante este período e
confessasse seu erro poderia receber penas mais leves .
Interrogatório - Perante o Tribunal, os acusados eram interrogados pelos juízes.
Os inquisidores faziam de tudo para que os réus confessassem. Os réus que se recusavam a confessar eram submetidos à violência e tortura .
Sentença - Arrancada a confissão do réu, os inquisidores davam a sentença
em sessão pública. As sentenças variavam a cada caso, podendo ser a
confiscação de bens, prisão ou pena de morte. Os condenados à morte podiam
ser queimados vivos numa fogueira ou ser estrangulados antes de terem seus
corpos lançados à fogueira.

O PODER DA IGREJA

O poder da igreja católica aumenta

Organizando cada vez mais suas estruturas internas, a Igreja foi crescendo
em poder e importância. Seus membros se multiplicaram em diversas regiões da Europa. Através deles, o Cristianismo foi sendo espalhado entre os povos bárbaros.
Assim, forma-se, por toda a Europa, uma nova sociedade diretamente influenciada pelo Cristianismo.
O Cristianismo surgiu a cerca de 2000 anos, baseando-se nos ideais de Jesus Cristo. Depois da morte de Cristo, o Cristianismo foi divulgado por seus seguidores em várias regiões.

A Igreja serviu como unificadora da sociedade, visto que, a divisão política foi
uma das características do feudalismo. Além da autoridade espiritual, a Igreja tinha grande poder sobre a sociedade, pois havia enriquecido com muitas doações de terras feitas pelos fiéis, em troca de possível recompensa no céu.
A Igreja foi a instituição mais poderosa da sociedade medieval no Ocidente.
As grandiosas catedrais que foram construídas na Europa neste período
demonstravam o seu grande poder.

Na Idade Média a riqueza de uma pessoa era medida pela quantidade de terras que possuía já que esta, era a única fonte de renda, pois não existiam fábricas, minas, bancos ou outros bens.

A Igreja chegou a ser dona de dois terços de terras cultiváveis da Europa. Era a grande "Senhora Feudal" e seus mosteiros eram enormes feudos com muitos servos a seu serviço.
Os bispos possuíam muitas terras; ser bispo era um bom negócio.